Jangada de bambu

Há muito tempo eu estava planejando construir uma jangada de bambu. Todo pimpão, achando que seria tarefa fácil, segui em direção a um bambuzal montado em meu jipe e munido com uma serrinha portátil.

Já havia serrado um pedaço de bambu no mesmo local para produzir um cantil e foi tarefa fácil. Para a jangada, eu teria que serrar um bambu de maior espessura. Escolhi um bambu de bom tamanho para produzir uma jangada sem ter que serrar muitos segmentos. A primeira dificuldade foi que um bambu mais velho e espesso não é simples de cortar com uma serra portátil. Enquanto serrava ficava imaginando como seria bom ter uma moto-serra à disposição!

Tal qual quando serrei o bambu para a construção do cantil, a serra prendia no meio do caminho, algo que eu resolvia com alguns puxões quando o bambu era de menor espessura. Desta vez, foi muito difícil porque o bambu era de outro naipe! Agora, escrevendo a respeito, nem sei como consegui serrar por completo sem ter a ferramenta presa logo no início. Acho que dei sorte! Depois que terminei o trabalho, fui tentar movimentar o bambu para derrubá-lo, aí sim consegui prender a serra de vez, na beirada do bambu. Empurra, puxa, chuta. Nada, nenhum esboço de movimento do bambu.

Tentei usar um pedaço de paracord para movimentar o bambu dando puxões com o jipe. O paracordarrebentou na primeira tentativa. Consegui um pedaço de cabo de aço e reboquei lentamente o bambu. Foi necessário usar a tração 4X4. Quanto mais eu puxava, mais eu via que o bambu era gigante. Uma pena ter ficado com receio de filmar. Achei que poderia dar uma vídeo-cassetada com o bambu no pára-brisa do jipe ou na minha testa, por isso não filmei.

Acabei conseguindo derrubar o bambu com ajuda do jipe. Com a serra sã e salva, iniciei o processo de segmentar o bambu. Cortei em cinco pedaços para fazer a estrutura da jangada e mais dois pedaços finos para amarrar tudo. Usei só um bambu para toda a jangada.

O bambuzal era um tanto longe da represa aonde eu tencionava navegar, acabei rebocando todos as partes para debaixo de uma paineira perto da água. Este foi um bom aprendizado. Achei que poderia construir a jangada perto d’água, na sombra, porque depois conseguiria ajuda para levar a estrutura para a água. Bom, já chego nesta parte!

Fiz uma pausa para o almoço, só então retornei para continuar o trabalho. Estava exausto, mas decidido. Utilizei a amarra quadrada para prender cada segmento de bambu. Poderia ter utilizado algum tipo de amarra contínua, mas, por segurança, resolvi fazer amarras individuais. Caso uma amarra se soltasse durante a navegação, eu não perderia toda a embarcação. Eu construí a jangada utilizando corda de polipropileno de 2mm, mas se resolvesse utilizar paracord, quem sabe não seria mais interessante fazer uma amarra contínua.

Levei quase toda a tarde amarrando e re-amarrando, uma vez que não consegui decidir qual a melhor posição para manipular um material tão pesado. Acabei por construir a jangada de ponta-cabeça, devido à dificuldade que tive com as amarrações de outra forma. Este foi outro erro, uma vez que não consegui virar a jangada para a posição correta quando a coloquei dentro d’água.

Terminei no final da tarde, exausto. Procurei por ajuda para levar a jangada para navegar. O doido que tem um canal no YouTube não conseguiu ajuda. Pensei em testar a jangada em outro dia, após uma boa noite de sono. Por outro lado, como eu conseguiria dormir depois de tanto tempo planejando a jangada enquanto ela estava ali, prontinha para ser navegada!

Consegui reunir forças não sei de onde e arrastei a embarcação para dentro da represa. Com ela dentro d’água, foi como se eu não estivesse exausto. O entusiasmo de ter conseguido fazer uma jangada que suportasse meu peso foi tamanho que consegui navegar. As dores musculares vieram só no outro dia!

Confesso que eu não tinha certeza que funcionaria. Agora, planejo uma jangada maior, para deixar ancorada no local e usar quando bem entender!

Devido à esta experiência, a próxima vou construir na beira da lagoa!

Falando em sobrevivência. É pouco provável que um náufrago, sem ferramentas minimamente adequadas e mal alimentado conseguisse produzir algo parecido. Sem ferramentas e alimentação adequadas, o mais crível seria a construção de uma jangada utilizando muitos dias de trabalho. Apesar de ter conseguido construir uma jangada sozinho, usei um jipe para rebocar a pesada matéria-prima e uma pequena serra, que, se não foi a ferramenta ideal, foi muito funcional. A maior lição é saber o trabalho que dá construir algo do gênero. Em uma situação de sobrevivência real eu saberia mensurar com mais exatidão se a construção de algo assim seria realmente a melhor escolha entre caminhar no leito de um rio ou navegar. Claro, isso não se aplicaria em uma investida no mar!

Gostei da brincadeira, pena que não tenho tempo para iniciar imediatamente a construção de outra jangada melhor!

 

Acompanhe a épica construção da minha jangada!

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